Thursday, September 14, 2006

Kaka Barboza - Universalista e Popular

 
Universalista e Popular – Kaka Barboza – é um trovador à imagem de ‘’ Zeca ’’ Afonso – Poeta e músico, ao jeito de trovador de intervenção, o caboverdiano Kaka Barboza assume-se como homem do campo e deixa-se encantar pelas simples coisas do quotidiano, que utiliza como “ fermento “ das criações.

Já comparado ao português Zeca Afonso, de quem se considera grande admirador, diz que «em qualquer parte do mundo vão surgindo esses trovadores que encarnam o ideal de transmitir através das canções, a urgência das mudanças que a maioria da sociedade exige. Cabo Verde não fugiu a isso. Não quero dizer que seja eu mas desde os primórdios do nosso povoamento houve alguém que sempre disse coisas que serviram e que estão na base possivelmente de muito que tenho dito, e daquilo que representa a nossa historia e a evolução da nossa sociedade» explica à Lusa.

Em Zeca Afonso, que criou Grândola, Vila Morena a canção da revolução do 25 de Abril de 1974 em Portugal, admira a espontaneidade, o modo especial como dizia as coisas ao povo. «Esses trovadores, essas pessoas que são capazes de emitir uma mensagem tão forte, que ajudam na formação de uma consciência necessária numa determinada altura, valem uma eternidade. São capazes de sintetizar determinadas coisas que a generalidade do povo apanha muito mais depressa do que de um político que passa horas nas antenas de radio ou televisão» acrescenta. Kaka Barbosa não se vê como grande pensador, mas nos poemas que canta procura transmitir valores universalistas, por palavras que sejam entendidas pelo seu povo. E essa labuta resume-a na ideia de que ”água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

Intervenção Social.
Se canta para criticar o regime, para falar da falta de liberdade, da pobreza, ou do amor, tem sempre presente a utopia de uma sociedade mais justa, na convicção de que quanto mais solidário for, mais culta se revelará. Nos poemas há sempre uma intervenção social, mais ou menos explícita. Muitas vezes recorre as imagens do campo para falar mais fundo ao seu povo, e cada mensagem é como que “um arco-íris em que cada um vai buscar as cores preferidas”. Com dois livros de poesia em caboverdiano e um terceiro recentemente publicado em língua portuguesa, está a preparar o primeiro registo discográfico, que deverá ficar concluído proximamente.

Confessa que há algum tempo tinha ideia de deixar gravada a sua voz numa cassete ou num disco. Mas várias das suas composições já foram registadas por importantes intérpretes da música caboverdiana, os Tubarões, os Bulimundo ou os Simentera. Embora busque na ruralidade e nas tradições as referências para as suas criações, ao gravar o disco com sua voz e sua viola aposta num registo sonoro inovador, com recurso ao piano, violino, ao violoncelo e a flauta. Diz que será um registo à imagem da simplicidade do campo, com melodias que ajudam a levar melhor a mensagem dos poemas, «que funcionem como um papel de embrulho ou de vidro de um perfume. Que sejam bonitas atraentes, e que ajudem o aroma a significar um pouco mais».

Estreia
A primeira composição aconteceu em 1968, quando cumpria o serviço militar na ilha de São Vicente. Após a recruta foi passar uns dias a Santa Catarina, ilha de Santiago, e então tomou conhecimento da prisão de amigos militantes, que trabalhavam na clandestinidade. E assim nasceu a morna Prizon. Passado algum tempo compôs o funaná Somada dedicado a Assomada, sede do Concelho de Santa Catarina. E até hoje contabiliza uma centena de composições musicais.

Em 1975 visita pela primeira vez o continente africano, e na Guiné-Bissau assiste um concerto que marcara o seu percurso. O Benbeya Djaz da Guiné Conakry. Nos anos 80 começa a sentir como que um chamamento interior, para a necessidade de pensar outra coisa, de fazer experiências com base no funaná um género tradicional do interior da ilha de Santiago, que é acompanhado de ferro tocado por fricção com uma faca e gaita (concertina). «Então pensei que ao lado do funaná ritmo que tenho no sangue mais essa captação, podia pesquisar e fazer certas experimentações, e acho que consegui chegar a uma coisa a que chamei de Funanbá que é uma associação do funaná, semba e rumba africano» explica.

Literatura
A designação para o género musical que criou – Funanbá - apenas surge nos finais de 80. Escrevia um poema a reclamar a presença de um feiticeiro para o ajudar, quando o nome lhe ocorre, Funanbá, da associação das palavras funaná +semba + rumba.
Na poesia, Carlos Alberto Lopes Barbosa (Kaka Barboza quando se expressa em crioulo) publicou no idioma do seu povo: Vinti Xintidu Letrado Na Kriolu (1984) e Son Di Virason (1996). Em finais de 2001 foi Chão Terra Maiamo pela voz de Albely Bakar (conjunção de letras do nome próprio) respondendo a um desafio de um amigo para se expressar em português. Em língua portuguesa, através de Albely Bakar, quer editar ao longo de 2002 um livro de contos, “ Cântico às Tradições” que recorre a expressões em crioulo para recriar vivências da sua infância, os mitos, as histórias fantásticas ligadas a tradição do povo de Santa Catarina.

Concluídos ou em fase de conclusão todos em língua portuguesa tem os livros de poemas “Gaveta Branca”, ”Sentidos Ditirambicos ” e “Trovas de Maio aliás Luzes de Toiro“. Na prosa são ‘’O lado Mais Caro da Vida” (romance, ou contos encadeados) e um outro baseado na interrogação... porque sou este trovador. Nesta obra pretende questionar-se e produzir um trabalho com um certo cariz autobiográfico a partir das vivências com locais e com familiares, dos contactos com pessoas marcantes ou da sua relação com a música e com a poesia (Claros d’Alma & Solos).

Percurso
Na poesia em caboverdiano Kaka Barbosa vai publicar ainda este ano “ Konfison Na Finata ” um trabalho a sombra mas muito ténue dos lusíadas em resultado da paixão que nutre por essa obra de Luís de Camões. Em vez de canto as divisões da obra chamou finata conjugação de finaçon poesia popular do interior de Santiago com serenata.
Nela evoca momentos da história de Cabo Verde a descoberta, o povoamento, as fomes, a música, as secas, a religião, as festas populares e o porvir. Tal como em Camões a epopeia do povo caboverdiano é contada em estrofes de oito versos. KaKa Barbosa optou por 45 estrofes de 8 versos cada que resultaram naquilo a que chamou «os 360 graus da nossa crioulidade». Escreveu ‘’ Konfison na Finata ’’ depois de uma conversa com um vizinho, o sociólogo Mário Matos em que se propusera conceber uma ode a língua crioula. Ao fim de três dias, três de sol e dois de noite com um copo de leite ao lado do computador conclui o poema épico.

«Eu cheguei muito próximo do que é filosofia em crioulo. Eu disse coisas elevadas de forma simples mas complicadas para descodificar. É por isso que talvez só daqui a 50 anos as pessoas lhe darão o devido cabimento» acrescenta. Por essa razão Kaka Barboza crê que não decidiu sozinho escrever aquilo. Acredita que há momentos em que se é possuído pela luz e depois a intuição o deixa próximo de determinadas coisas. Afirma que por detrás de um poema há sempre uma música.

Não sabe que métrica musical está nos Lusíadas, mas Camões deixou-a registada, pela cadência, pelo ritmo, pelo olhar sistemático em redor de determinados factos e acontecimentos. Em “Konfison Na Finata” é o tempo da morna (género musical caboverdiano) que está presente. Quando escreve um poema diz sentir que as palavras trazem consigo a música. Os poemas obedecem sempre a um determinado ritmo, a um compasso e as palavras praticamente se entrechocam produzindo a harmonia para significarem.

Nunca concebe uma música sem o poema. O esboço de uma música nasce quando brinca com as palavras. Outras vezes é um parto quase em simultâneo. Quando um poema já tem a música que necessita para viver, para estar e significar, então já não carece de melodia é só cantá-la, são esses os que vão para as paginas dos livros.
Carlos Alberto Lopes Barbosa ou Kaka Barboza (poeta e músico em crioulo) ou Albely Bakar (para a literatura em língua portuguesa) ou Ely Bakar (como articulista de jornais e revistas) nasceu a 1 de maio de 1947 em S. Vicente mas assume-se sócio culturalmente nascido em Assomada – Santa Catarina. Completado o terceiro ano liceal, aos 16 anos abandona a escola para trabalhar. Era a obrigação de filho mais velho entre dez irmãos.
Mas a “tribo familiar” compõe se de mais dezasseis filhos do mesmo pai.
Trabalhou na Farmácia de Assomada, com um enfermeiro seu tio (Ivo Furtado), na Fazenda Pública durante dois anos, foi militar do exército português em São Vicente, foi empregado de Agência de Navegação – Casa Madeira – e marinheiro de barco alemão. Nunca se assumiu como activista político na clandestinidade mas em 1973 participa em são Vicente na dinamização de um grupo para tomar o Sindicato dos Empregados do Comercio e Ofícios Correlativos por via de eleições. Depois participa no movimento sindical que ajuda a criar após a independência.

Esteve igualmente ligado a fundação do Movimento Pró cultura na Praia hoje continua a colaborar com diversos grupos culturais do seu Concelho. Filiado no Partido Africano para a Independência de Cabo Verde e Guine Bissau (PAIGC) de 1974 a 1984 rompe com a militância partidária por não desejar cumprir uma certa disciplina que essa condição lhe impunha. Embora apoiante do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) actualmente no poder e pelo qual integrou na lista de deputados por Santa Catarina sente-se ideologicamente a esquerda desta força política. Mediador de seguros e desde Abril de 2001 é assessor de gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Santa Catarina. Confessa que a sua vida literária tem sido «ora na lua ora fora da lua». E quando está fora da lua não quer saber de literatura. Posted by Picasa

Tuesday, August 22, 2006

Finata 44


finata e zinir di longi
bendu n´aza di viraSon
eku fundu
dun Son rakinta na si
d´es kondiSon
konjugadu na balansu´l palavra
nos tradiSon
stribadu na nos izistensia
riba nos kondon
kada versu
e un faíska
faroladu di nos fogon
finata e zinir di longi
bendu n´aza di viraSon
eku fundu
dun Son rakinta na si
d´es kondison
xama grandi
ki tenpra-nu ser
da-nu kondiSon
discursu finu
di poeta na finaSon
serenata
e inu kantadu ku alma
na lingua di pátria
Poema do Livro Konfison na Finata
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Tuesday, March 28, 2006

KonfiSon na Finata - O Livro

 

Kaka Barbosa, escritor cabo-verdiano, lançou em 2003 a obra poética Konfison na Finata, com o selo da Editora Artiletra.

Uma obra poética que começa por expor um poema longo, dividido em 45 partes, a que o autor chama de finatas – um simbiose de serenata com finason. Na segunda parte, a obra contém outros poemas, nomeadamente uma ode a Santa Catarina e um konbersu Sabi, género poético típico de Santiago, que expõe tradições desta ilha em forma de versos rimados.

As 45 finatas desta obra de Kaká Barbosa são um hino à nação cabo-verdiana, uma odisseia do cabo-verdiano, desde a descoberta das ilhas, a formação do povo, da língua e da cultura cabo-verdiana, com todos os seus elementos de identidade, até aos dias de hoje.

No lançamento da obra, Kaká Barbosa chegou a dizer que Konfison na Finata é um livro para gerações futuras. Uma obra de vanguarda? Só poderá concordar, ou não, quem ler o livro.

Sobre o autor, vale dizer que Kaka Barbosa nasceu em S. Vicente, filho de pais foguenses, e cresceu na Assomada, a cidade que elege como terra mãe. Reconhecido músico e compositor, Barbosa é poeta e escritor, com obras publicadas em crioulo, nomeadamente Vinti Xintidu Letradu na Kriolu, Son di Virason e Konfison na Finata. Em português, publicou Chão Terra Mai Amo e ainda Cântico às tradições, uma colectânea de contos tradicionais.

Fonte: Lantuna Posted by Picasa

Friday, November 11, 2005

Apresentação

Escritor, Compositor e músico.
Instrumento: Violão

Dono de um estilo próprio e de um número grande de temas marcantes.
Somada, Tabanka, Dimocrança entre outros.
Vários dos temas foram editados em disco por outros artistas.